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Ah, seu texto também fez chorar bastante. A maternidade, como só, já é bastante intensa e complicada. Existem todas as transformações que você falou no corpo da mulher, sentindo o bebê chutando na costela, ou a própria amamentação e comentários duros de gente que nunca vai perguntar se você precisa de uma comida quente e horas de sono.

Às vezes, mesmo diante de uma situação que já é naturalmente complexa, existem outras circunstâncias. Existem dificuldades no parto, dificuldades ainda maiores de recuperação. Existe abandono na gravidez.

E às vezes eu me pergunto.

Por que comigo?

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Seu texto tem um apelo emocional genuíno que cumpre bem o que se propõe. A perspectiva que trouxe de um simpósio recente que participei partia de outro ângulo, mais técnico e talvez mais incômodo.

Racionalmente, não há vantagem alguma em ter filhos. O custo energético, especialmente para a mãe, é imenso. O que chamamos de amor materno e paterno é um mecanismo bioquímico desenvolvido ao longo de milênios para garantir a sobrevivência da espécie. Não é poesia. É biologia.

O que me parece mais urgente é a consciência prévia do que significa ter um filho. Ter um filho é morrer uma parte de si. Minha ex, queria muito ter filhos comigo, disse que eu seria um bom pai, mas eu fui honesto: só terei um quando puder garantir a ele qualidade de vida por toda a vida, não apenas até os dezoito anos. A maioria das pessoas tem filhos já pensando em se livrar deles na maioridade. Mas eles não pediram para nascer.

É justamente essa falta de consciência que gera os três cenários que você descreve: pais que abandonam, mulheres que se veem nessa situação sem nunca ter feito as perguntas certas, e ambos jogando uma criança numa sociedade que raramente oferece condições dignas de existência. Não há heróis nem vilões nessa história. Há humanos que passaram por um sistema educacional falho que nunca ensinou o peso real de gerar uma vida.

Antes de ter um filho, duas perguntas deveriam ser obrigatórias: a sociedade hoje é um ambiente saudável para trazer alguém ao mundo? E tenho recursos para amenizar os problemas dessa sociedade durante toda a vida dessa criança?

Quanto às funções, atribuir ao homem a obrigação de provedor financeiro por gênero é um equívoco. Isso depende da situação real de cada família. Não podemos pré-definir funções sem conhecer a realidade individual de cada um. Essa é também responsabilidade do Estado: garantir estrutura para que a distribuição de responsabilidades seja possível na prática, não apenas no discurso. Se não acabamos criando vilões individuais ou por gênero, sendo que todo o aspecto comportamental do homem e mulher, ambos são construções sociais, são sintomas. É preciso ir na raiz da questão, e quase sempre é educação. Educação de fato, não o que temos hoje. Parabéns por trazer o tema.

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